Cavaleiros da Paz Paz Paz

"A Tribo do Pé no Estribo"

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Batismo-BA Uruçuca-BA Pancada Grande-BA Porto Seguro-BA Dendezal-BA Tropa estendida na estrada em São Gabriel Lagoa do Peixe Tropeiro e Léo em São Gabriel Amigos Portugueses na Cavalgada do Mar 2006 Lagoa do Peixe Chuy Elton Saldanha em Portugal Solé, Bicca e Toco em São Gabriel Lagoa do Peixe Toda a tropa de São Gabriel


"Os sonhos são os mesmos, mesmos são os cavaleiros e seus arreios, mas agora levam violões e não canhões e canções de amor em lugar de hinos de guerra. As trilhas são as mesmas do passado mas agora o vento é de paz e o tempo é de amor."

"A Confraria dos “CAVALEIROS DA PAZ” é uma agremiação de natureza civil, sem fins lucrativos, com tempo indeterminado de duração, apartidária, cívica e, ao mesmo tempo, prática e romântica, inspirada na tradição gaúcha, no reconhecimento ao valor do cavalo, aproximando os povos, especialmente da América do Sul, visando um maior companheirismo em busca de melhor qualidade de vida para todos, busca esta que será perseguida, sempre que possível, a pata de cavalo."

Nosso comandante Antonio Augusto Fagundes é o PATRONO DA SEMANA FARROUPILHA 2007. Fica aqui registrado o nosso orgulho por mais esta distinção outorgada ao nosso querido Nico.

Mario Michels


O NASCIMENTO DE UMA TRADIÇÃO


AS CAVALGADAS DA PAZ
Por João José de Oliveira Machado

jjom@terra.com.br

Atividade eqüestre desenvolvida fora das fronteiras do Brasil pelos CAVALEIROS DA PAZ. Confraria de 22 homens, dos mais diferentes segmentos da Sociedade do Rio Grande do Sul (homens do campo e da cidade: peão de fazenda, tropeiro, agricultor, pecuarista, professor, juiz, advogado, engenheiro, publicitário, antropólogo, médico, odontólogo, comerciante, industrial, policial, funcionário público, jornalista, escritor, militar, deputado estadual, etc.).
Todos os anos percorrem um ou mais países da América do Sul (veja-se quadro abaixo) :

CAVALGADAS INTERNACIONAIS DA PAZ: 1990 – ALEGRETE (RS) a ASUNCIÓN (PARAGUAI), 20 dias, ......... 870km

1991 – PORTO ALEGRE (RS) a LA PLATA (ARGENTINA), 31 dias, . 1.310km

1993 – CIDREIRA (RS) a LAS CUEVAS + 1KM (CHILE), 63 dias, ... 2.820km

1995 – CANGUÇU (RS) a COLONIA DEL SACRAMENTO (REPÚBLI- ORIENTAL DEL URUGUAI), 21 dias, ............................ 880km

1996 – JARDINS, VIA PANTANAL, CORUMBÁ (MS) a PUERTO SUA- RES (BOLÍVIA), 23 dias, ..................................................850km

1997 – TRINIDAD (PARAGUAI), VIA MISSÕES ARGENTINAS, a SÃO MIGUEL DAS MISSÕES (RS), 20 dias, ...................... 750km

1998 – TIRA PONCHOS (URUGUAI) a SÃO BORJA (RS), 20 dias, ... 550km

2000 – ILHÉUS a SALVADOR (BAHIA) COMEMORATIVA AOS 500 ANOS DE DESCOBRIMENTO DO BRASIL, 15 dias, .. 500km

2003 – ALGARVE (PORTUGAL) DO PONTAL DE SAGRES a LAGOS, (FECHAMENTO DA ATIVIDADE ACIMA), montados 6 dias (outras participações 5 dias), .......... 250km

Sempre é levada uma mensagem de fraternidade pan-americana e de amor ao próximo, com o objetivo da preservação dos recursos naturais e diante de uma temática de união continental, com vistas a enfrentar a globalização, sem ser contrária a ela, a qual pode ser traduzida na sábia estrofe de José Hernándes:

Los hermanos sean unidos,

porque esa es la ley primera,

tengan unión verdadera,

en qualquier tiempo que sea,

porque si entre ellos pelean,

los devoran los de afuera!

O fundamento dessas mensagens está assentado numa visão neo-fisiocrata – Dr. Quesnay – “só a natureza é fonte da verdadeira riqueza, capaz de satisfazer às necessidades humanas” e na teoria malthusiana (não muito remotamente, haverá um ponto crítico: “a fome no planeta”, pois a população cresce geometricamente e a produção de proteínas cresce, apenas, em progressão aritmética). Com isto, os governantes dos estados que têm vocação para a produção de proteínas deverão preocupar-se em privilegiar seus setores produtivos primários, não os relegando a um plano inferior, com a busca desatinada da industrialização, como vem ocorrendo, isto é, o desenvolvimento terá que ser harmônico, integrado e abrangente. Esses cavaleiros, por onde passam e onde acampam à noite, junto às pessoas representativas dos lugares de seu itinerário, fazem palestras junto ao povo e às autoridades, em tal sentido. Pernoitam, quase sempre, ao relento, ou em galpões, salões de igrejas, nas matas, debaixo de pontes, etc. São acompanhados de um veículo de apoio que transporta ração para os animais e a alimentação para os cavaleiros, além de alguma bagagem, medicamentos humanos e veterinários, ferraduras e outras utilidades.
ASPECTOS DAS CAVALGADAS DA PAZ
Nós, gaúchos (do Estado do Rio Grande do Sul), temos os mesmos costumes e, poder-se-ia dizer, a mesma cultura e origem de los gauchos de La Pampa (Argentina) e también de los gauchos del Uruguay. Parece, aos estudiosos, que a indumentária seja herança de La Maragateria e que o amor ao cavalo reminiscência da cultura árabe, também muito influente na Espanha, ao mais na Andaluzia.

Embora a colonização no Litoral (Nordeste do Estado, no polígono de Torres a Rio Grande e de Vacaria a Pelotas) tenha se dado pela ocupação feita pelos portugueses e, mais tarde e mais especificamente, por açorianos, sob os aspectos de cultura, etnia, costumes, folclore e outras vivências, temos pouca semelhança com o resto do Brasil.

Nossa influência hispânica é bem mais acentuada. Embora tenhamos um ótimo futebol, nosso forte não e o Carnaval, nem o samba. Temos poucas mulatas, porém belas. Aqui predominam, em grande maioria, os descendentes dos colonizadores lusos e espanhóis, a estes se juntando o grande contingente de negros trazidos à força da África por influência da nefasta adoção da escravidão.

Depois, a partir do início do século IX, recebemos um imenso contingente de imigrantes alemães (1824), italianos (do Norte, 1875) e, mais recentemente, poloneses, libaneses, sírios, judeus, austríacos, holandeses e, por fim, os amarelos (japoneses e coreanos) e os árabes: jordanianos e palestinos.

Alguns antropólogos arvoram-se a afirmar que no Sul é maior o branqueamento racial. Temos clara consciência de que somos desconhecidos na Europa, daí difundirmos algumas coisas em relação a nós. Mas, bruscamente, mudando de assunto, tomo a liberdade de mencionar que além do livro Gaúchos a cavalo no Camino de Santiago, também o livro de poemas que lancei em 2001, Rimas & Rumos, traz muitas informações sobre nossas tendências telúricas e com profundo censo de inspiração crítica sobre temas como a sonhada igualdade isonômica, às discriminações e outros, tão ligados à rebeldia que caracterizou o homem da Pampa.

Nessa obra, é mister que seja entendido o sentido (para nós americanos) do poema Índios no Acostamento, pois, segundo a História, os heróis para alguns povos, são os vilões para outros. Refiro-me a Hernán Cortez, Francisco Pizarro e tantos outros grandes conquistadores espanhóis, em verdade, sanguinolentos exterminadores dos pacíficos índios que viviam na América.

Pretendemos, os Cavaleiros da Paz, entidade à qual pertenço, seguindo nossa vocação institucional, fazer o Caminho Português a Santiago, desde Fátima, ou do Porto, cerca de 350km. Os planos ainda não estão bem definidos. Somos uma confraria composta de vinte homens que, a cavalo, todos os anos, percorremos um país da América do Sul, levando uma mensagem de fraternidade aos povos irmãos. Já fomos ao Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Bolívia, além de atravessar o Pantanal Brasileiro (de Ponta-Porã a Corumbá), em percursos que variaram de 500 a 2.900km e duração de 23 a 63 dias.

Planejamos, ainda, não importa quando ou, até mesmo quem, todavia, o mais autenticamente possível, reproduzir a “entrada” berbere provinda da África, que transpôs o Estreito de Gibraltar até seu acantonamento precário e provisório na encosta da hoje Tarifa , pequena cidade, na Andaluzia, Sul da Espanha, próxima a Algeciras. Essa entrada, conhecida hoje, no Ocidente, como invasão árabe da península ibérica, tem bem retratadas suas motivações e determinantes, em molde de ode poética, no poema de minha autoria, A filha de Don Olbán .

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